Editado por Stéfanie Rigamonti, espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão
- Com mensalidades a partir de R$ 250, novo modelo é uma alternativa aos planos de saúde e ao SUS
- Restrições impostas pela empresa, porém, acabam trazendo dificuldades de amplo acesso à plataforma
A CrowdCare, startup americana da área da saúde, está trazendo ao Brasil neste mês um modelo novo de cobertura de despesas médicas. Trata-se de uma plataforma de crowdfunding, ou de "vaquinha" online, na qual as pessoas contribuem com mensalidades fixas e podem usar os recursos do fundo para custear consultas, exames, cirurgias e outros procedimentos hospitalares e clínicos.
A contribuição mínima é de R$ 250. A plataforma servirá como mais uma alternativa aos planos de saúde e ao SUS (Serviço Único de Saúde). A novidade chega ao Brasil em meio a um aumento das reclamações de pacientes contra os planos de saúde.
"A CrowdCare não é um plano de saúde. Os nossos membros são considerados pacientes particulares. A nossa plataforma elimina as barreiras dos convênios", diz Karina Brito, CEO da CrowdCare no Brasil.
Esse modelo de custeio da saúde é mais popular nos Estados Unidos, onde a falta de um sistema público como o SUS impõe necessidade de soluções para o acesso da população à saúde.
Mas Lee Cerasani, fundador e CEO da CrowdCare Américas, diz que, mesmo o Brasil possuindo um sistema de caráter universal, há entraves que limitam o atendimento a toda a população, "como longas filas de espera, desigualdade de acesso entre regiões e falta de profissionais e limitações para quem depende exclusivamente do SUS", afirma.
"Outro entrave é que os planos individuais, especialmente para trabalhadores do mercado informal, têm preços proibitivos e estão cada vez mais escassos", completa.
Para o modelo da CrowdCare funcionar, no entanto, é necessária a adesão de um determinado número de clientes. Quanto maior a quantia depositada no fundo, maior o teto de gastos em serviços médicos particulares.
Há ainda restrições que dificultam o amplo acesso à plataforma. A empresa não aceita a associação de pessoas com mais de 64 anos, faixa que geralmente demanda mais atendimentos médicos. Para pessoas de 54 a 64 anos, a associação é mais cara: o mínimo é de R$ 450 mensais.
Serviços médicos de alto custo exigem pagamento maior. Há ainda procedimentos que não são elegíveis, conforme previsto em contrato. A plataforma também exige carência em alguns casos, como para tratamento de doenças diagnosticadas antes da associação e para custos com pré-natal e parto, assim como ocorre em muitos planos de saúde.